Bangladesh

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Enquanto estudante de Design de Moda, são estes os acontecimentos que me fazem duvidar sobre o percurso que eu escolhi. Enquanto ser humano, não consigo ficar indiferente em relação a este assunto. Ainda há dias fui visitar uma fábrica portuguesa de confecção de roupa e fiquei chocada com as condições em que aquelas mulheres trabalhavam; enquadrando-me num dia de frio, as condições atmosféricas que se observavam dentro das fábricas eram absurdas, um bafo insuportável vinha das caldeiras e dos ferros, e não existia qualquer tipo de ventilação ou circulação de ar. Trabalhavam em máquinas de costura barulhentas, com as costas curvadas e com diversas feridas nas mãos. Fiquei ainda mais perplexa quando me disseram que aquela fábrica tinha boas condições de trabalho. 

Passou também um documentário na Sic Noticias sobre as fábricas têxteis ilegais e de condições sub humanas, e a maneira como os grandes grupos comerciais usavam essas fábricas e, ao mesmo tempo, ocultavam o seu uso. 

Eu nem imagino (nem quero imaginar) as condições que a fábrica que ruiu em Bangladesh possuía  Infelizmente, todos nós preferimos viver na ignorância em relação a este assunto. Quando vi a foto de um casal abraçado encontrado no meios dos escombros o meu coração parou. E pensar que grande parte do meu vestuário é das empresas que fabricavam neste local fez-me sentir, de certa forma, culpada, pois o meu consumismo e a efemeridade do meu vestuário fazem-me andar à procura de preços baixos e qualidade média. E são estas característica que fazem com que os grandes grupos têxteis vão buscar a mão de obra mais barata possível. Também não acho correcto estar a culpar os grupos pelo acontecimento da fábrica. 

No entanto morreram pessoas, crianças ficaram órfãs e um mundo um lugar ainda mais triste.Mas, e de quem é a culpa?